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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Como nos transformar no Irã (parte 1)

Definitivamente a mistura de política com religião é complexa. Por lei o estado é laico mas na prática tem religião, paga dízimo e comunga. Vide os Garotinho, Rosinha ...
Criticamos o Irã por não separarem política e religião, mas nesta campanha estamos vendo como é sórdido o discurso eleitoral do PSDB. Sim, eu sou eleitor do PT.
Aborto não é uma questão de religião, é uma questão de saúde pública, e deve ser tratado como tal. O Serra enquanto ministro aprovou o aborto em casos específicos e isso foi um grande passo para o Brasil. Mas envolver as igrejas nesta questão tem a única intenção de polarizar/mobilizar uma massa inflamável a favor da "moral" e dos "bons costumes", massa essa sem nenhuma "moral política" nem "bons costumes eleitorais". TODOS somos a favor da vida, ninguém faz apologia ao aborto, não deve ser incentivado, mas não é essa a questão. A questão é que o aborto na prática é legal, desde que atendidos certos requisitos financeiros, e isto não é novidade para ninguém.
Mobilizar a bancada evangélica contra a Dilma com este argumento, fundamentado exclusivamente na religião é duplamente perigoso, pois isso implica que quem souber agradar melhor os evangélicos terá uma base eleitoral mais forte, se você chama isso de política saia agora deste blog e nunca mais volte... o segundo problema está na interferência da igreja no estado.
Conclusão, se continuarmos assim, em breve teremos um presidente evangélico e será lei as mulheres não cortarem o cabelo, a bebida será proibida, e todos pagaremos 10% de nossos salários ao estado (fora os impostos...)
Dom Pedro foi muito feliz em separar a igreja do Estado, reclamamos do Irã onde a religião influencia nas decisões políticas e fazemos o mesmo. Ou será que um estado controlado por evangélicos pode?

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