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Matemático não praticante, desenvolvedor incurável e designer compulsivo, desenvolveu extrema habilidade de falar com computadores.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vitor Ramil - Delibab

Acabei de escutar o novo disco do Vitor Ramil, que acompanhado de Carlos Moscardini nos violões,  grava poemas de João da Cunha Vargas e do argentino Jorge Luis Borges.
Falar bem do Vitor Ramil é chover no molhado, o cara tem um trabalho pra lá de consistente, e desta vez não foi diferente.
A comparação com o Ramilonga é inevitável, mas milongas do Vitor parecem vinhos de guarda, com o tempo ficam mais secas e diretas, chegando quase a ser intimistas. Parece ser um trabalho mais maduro.
Junto com o disco acompanha um DVD que é o documentário das gravações nos Estúdios Circo Beat na argentina. Aparece toda minúcia na gravação de dois violões e vocal. É realmente um trabalho elaborado e o resultado é nítido.
Não é novidade para os que me conhecem que eu não gosto de música gaúcha, de um modo geral me parece que existe um "gerador de música gaudéria", nas quais obrigatoriamente tem que aparecer as palavras, "querência", "gaudério", "macho", "chinoca", "pago", "pingo", "mate", "tradição"... E no final das contas temos as mesmas músicas com ordens diferentes. A Tche-Music, que nada mais é do que um forró pra lá de cachorro com as palavras supracitadas.
Mas com a poesia de João da Cunha Vargas tudo fica diferente, nela reside uma sensibilidade que não quer se esconder sob um manto de "macho" e é de longe muito mais significativa e visceral. Faz jus título de poesia gaudéria que enaltecê em si.

" E vou levar quando eu for,
No caixão algum troféu.
Chilena, adaga, chapéu.
Meu tirador e o laço
E o pala guapo no braço
Pra gaudeirar lá no céu"
Gaudério

Recomendo.

Era isso.

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