Sobre mim

Matemático não praticante, desenvolvedor incurável e designer compulsivo, desenvolveu extrema habilidade de falar com computadores.
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sexta-feira, 16 de abril de 2010

6 coisas que eu sou contra/ a favor

1- Sou a favor fidelidade partidária

Um político eleito, ao trocar de partido, deveria perder o cargo e o mesmo ser ocupado por alguém da legenda pela qual ele (o político) foi eleito. Esta política pessoal é péssima pra democracia, porque não colabora com as propostas dos partidos e sim dos políticos. Temos que pensar em termos maiores de estrutura. Pensar em política em termos de políticos a mesma coisa que a televisão faz com as celebridades, um governo é muito mais que isso.
Ao elegermos políticos no lugar de legendas fazemos os eleitos a trabalhar em causa própria e para manutenção de status. Quando votamos em uma legenda nos identificamos com aquela idéia, esperamos uma coerência de atitudes baseadas na ideologia de tal partido. Ao mudar de legenda o político passa a assumir uma inclinação diferente para a qual o elegemos, não sendo necessariamente o que queríamos.
Um caso particular pode aparecer. E se o partido para o qual ele vai tem um ideologia igual? Nesse caso entramos em um novo debate, não seria o caso destes partidos serem um só? Isso é assunto pra outro post, a questão da quantidade de partidos e para que servem...

2 - Sou contra as cotas nas Universidades

As cotas nas Universidades, sob um pretexto histórico e de exclusão passamos a privilegiar uma etnia em detrimento da outra. Alunos que obtiveram pontuação maior que a dos alunos cotistas, porém fora do limite das vagas oferecidas para não-cotistas tem seu direito de estar na Universidade negado. Neste caso me parece claro que a questão racial tem mais peso do que o mérito próprio do aluno, e o critério de seleção é racial. Mudamos o lado da balança mas a relação de desigualdade parece díspar.

3 -  Sou contra a educação inclusiva

Antes dos hipócritas de plantão associarem eu ser contra a educação inclusiva com a não educação de deficientes, ou com algum tipo de exclusão social, o ponto nessa análise é: não temos estrutura física e nem de pessoal para suprir essa necessidade. Se faz necessário para tal uma adaptação que não é condizente  com a nossa possibilidade de realiza-la. Prometemos coisas que não são possíveis de cumprir.

4 - Sou a favor do casamento homossexual

No meu último post eu escrevi sobre a influência da religião na política, aqui fica claro. Eu vou contar uma coisa que pode chocar vários leitores: homossexuais existem!  se casam e moram juntos!
Do ponto de vista prático a estrutura familiar destas pessoas não difere muito da grande parte dos heterossexuais. A organização mundial da saúde há muito tempo não considera o homossexualismo como doença, aqui temos que ver a questão social antes de tudo. Eu particularmente não concordo com o fato de ver dois homens juntos, para mim não é natural, não gostaria de ter um filho homossexual, mas compreendo perfeitamente que existam pessoas que não compartilham da mesma opinião, acredito e defendo que estas têm direito a escolhas (concorde eu ou não).
Pessoas que constroem, por exemplo, um patrimônio juntas, tem direito a este patrimônio na morte do outro. Assim como todos os outros direitos civis de pessoas casadas. É legitimar o que acontece na prática.

5 - Sou a favor da liberação das drogas

A guerra contra as drogas não surtiu efeito em nenhuma parte do mundo, em nenhuma época. Orçamentos muito maiores do que o brasileiro já foram empregados nesta batalha em vão. Drogas é questão de saúde pública não criminal.
Associar a liberação das drogas ao estímulo ao consumo é limitado. Estamos todos no mesmo barco, porém remando para lados diferentes. É claro que as drogas são prejudicais, e têm um custo social alto, mas a diminuição do consumo impreterivelmente, análogo ao tabaco, passará por uma campanha franca de mostrar o malefício.
Em drogas tipo heroína, cocaína e crack isso é fácil de fazer, mas no caso da maconha a mística ainda impera. Várias pesquisas apontam que não temos uma periculosidade tão alta como se propaga, então fica difícil uma campanha de conscientização que não se valha de argumentos fantasiosos. Provavelmente nesta droga o consumo permanecerá estável ou terá aumento, mas isso é um problema? Se conseguir diminuir o consumo de drogas pesadas, dimiuirmos a violência associada ao tráfico isso não seria benéfico como um todo? Diminuimos o consumo de drogas letais e aumentamos o de drogas inofencivas. Me parece justo.

6 - Sou a favor do voto facultativo

Há uns 2 anos eu era contra o voto facultativo, acreditava que todas as pessoas deveriam ser responsáveis pelo processo eleitoral, e a omissão também deveria ser responsabilizada. Hoje em dia eu penso diferente.
Ao tornarmos obrigatório o voto, obrigamos que as opinem. Pensando de maneira limitada a gente pode se pergunta: o que é que eu ganho com isso? Nessa hora entra em ação a política de má fé, a compra de votos e o favorecimento. "Já que eu tenho que votar, que seja em alguém que me dê alguma coisa".
O voto consciente perde espaço para uma massa manipulada que tem que votar obrigada. Ficamos a mercê de ignorantes, levianos, corruptos, dentre vários outros adjetivos pejorativos que tenhamos a disposição no momento oportuno. O voto de quem dá valor ao vota fica diluído nessa massa podre de manipulados e manipuladores.
A facultatividade do voto não tornaria o processo eleitoral menos corrupto, mas tornaria a corrupção bem mais cara. Explico: comprar o voto de quem tem que ir vota é mais fácil do que convencer alguém de ir votar. É a lei do menor esforço.
Partidos onde a ideologia de votar para fazer a diferença fariam frente ao votos pagos. E quem não quisesse participar ficaria de fora. Não forçariamos pessoas sem opinião a ter uma, e encareceríamos os processos de compra de votos a estilo de um leilão. "O que você vai me dar se eu for votar?"
A lógica de mercado muda, o eleitor passa a estar na condição de oferecer alguma coisa que o candidato quer. E quem acredita em quem vota o faria de graça. Isso me parece democrático.

Era isso.




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