Sobre mim

Matemático não praticante, desenvolvedor incurável e designer compulsivo, desenvolveu extrema habilidade de falar com computadores.
E ser ouvido.
Este é meu blog.
Seja bem vindo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Na fronteira dos vinhos.

O valor do vinho com a sua qualidade é praticamente indissociável. Não digo aqui que vinhos baratos não possam surpreender mais que vinhos caros dificilmente  vão decepcionar. Tal afirmação é válida na maioria dos países do mundo, infelizmente no Brasil esta lógica de mercado não funciona. 
Explico.
A política de taxação de importação brasileira para bebidas é de 60% e considerando (pra facilitar as contas) a cotação do dolar em R$2,00. Um vinho de U$ 40 custaria aproximadamente R$ 130,00. 
Como se já não fosse suficiente um imposto de 60% temos adicionado ao valor do vinho a "taxa da loja", que tem uma taxação aleatória, chegando a ter o preço de venda ao consumidor final chagando na casa de R$ 350,00.
Pra quem entende um pouco de vinho, vinhos de U$ 40 não estão no topo da lista dos mais caros e cobiçados do mercado, e mesmo assim chegam a um preço de venda exorbitante. Eu pequei o exemplo de um vinho U$ 40 pois nele a distorção é bem sensível, o valor real do vinho (em Reais, com um câmbio muito mais alto do que  o de verdade) pula de R$ 80 para R$ 350. Mas o mesmo acontece com vinhos de todos os outros valores.
No feriado de Páscoa eu e a Gi resolvemos dar um pulo em Rivera para comprar alguns vinhos. Dentro de um limite é possível não pagar imposto e pelo fato de não estar comprando no Brasil, temos um grande desconto da "taxa da loja". Lá valem as leis de concorrência.
Essa taxação abusiva de produtos importados tem como objetivo proteger e estimular a indústria nacional. Até aí o argumento é válido. O produtor brasileiro pode respirar e iniciar uma produção competitiva mas, no lugar disso, e baseado nessa concorrência "desleal", vemos também os vinhos brasileiros sofrerem uma inflação irracional.
Resultado, o mercado de vinhos no Brasil foge do racional. Assim como os iPods de U$ 500 chegam no Brasil a R$ 2.500, vinhos de U$ 18 chegam a R$ 120 de preço de venda.
Recalculando o câmbio em ordem inversa, um Salton Talento de R$ 70 custaria algo em torno de U$ 35. Estamos no Brasil, portanto as taxas de importação não se aplicam, logo ao compararmos os valores em dolar dos produtos na origem vemos outra distorção. (nota: a crítica não está direcionada a vinícula Salton e nem ao Talento propriamente ditos, que eu particularmente não conheço, mas tenho ótimas recomendação).
Onde eu quero chegar com isso? Todos sabemos do prestígio do Chile em relação a produção de vinhos, a segunda maior vinícola chilena é a Cono Sur (subsidiária da Concha y Toro). O melhor e mais premiado vinho deste vinícola se chama Ocio e custa na origem os mesmo U$ 35 do Salton Talento.
O critério preço fica completamente instável e inflacionado. Para escolhermos bons rótulos devemos, além de saber exatamente o que queremos, termos noção de quanto isso custa na origem, para não arriscar pagar R$ 49 por um vinho de U$ 7,20, como eu já vi acontecer.
As vinícolas tem o direito de cobrar o que quiserem pelos seus produtos, mas seria o caso de desonerar os produtos importados e realmente favorecer a concorrência. Queremos produtos melhores e mais baratos.
Existem vários críticos dos vinhos brasileiros, na minha opinião temos vinhos de padrão internacional mas são muito caros, comparativamente falando. Isso é assunto pra um outro post.


Era isso.









Nenhum comentário:

Postar um comentário